Pular para o conteúdo
Golpe 30 split

grátis, permitindo contribuição livre

Split
R$

Mínimo: R$ 0,00. Pague mais se quiser apoiar.

5% do pedido, com teto de R$ 5,00, fica com o BandPress; o restante vai direto para Räncör.

Golpe 30 split

2025 · 3 faixas · 2m48s

Faixas

  1. 1

    Balcão de Negócios

    letra

    COP 30 debaixo do nosso nariz Ignorando quem construiu esse país Vieram os líderes mundiais Pra tomar as mesmas decisões iguais Balcão de negócios da burguesia Quem mais polui é quem mais negocia Greenwashing na cabeça do povo Pra amanhã queimar tudo de novo É uma ilusão Achar que irão Abrir mão Dos seus lucros em nome da população Chamaram todos menos quem importa Povos originários nem chegam na porta Lhes resta a auto-defesa e organização Pra lutar contra a sua extinção Maquiando o centro da cidade Esquecendo do caos de verdade Melhorias pra só gringo ver A realidade é dura de viver É uma ilusão Achar que irão Abrir mão Dos seus lucros em nome da população

    1:31
  2. 2

    Fogo na COP

    letra

    Corrupção sem limites Destruição da fauna e flora Uma vergonha internacional Mas tudo isso tem um nome COP 30 COP 30

    0:40
  3. 3

    Räncör - Conferência das Partes

    letra

    Perfurar Explorar Refinar Pra lucrar Achando um novo jeito De nos culpar pelo seu erro Essa é a sua dedicação Amazônia Devastada Nova onda Cyberpunk

    0:36

Info

A COP30 aconteceu entre 6 e 21 de novembro, em Belém do Pará, cercada de debates sobre a crise climática e expectativas sobre a importância simbólica da Amazônia. Só que, na prática, o evento repetiu a mesma lógica de todas as outras COPs: uma vitrine internacional revestida de discursos ecológicos, mas guiada pelos interesses de quem mais lucra destruindo o planeta. Apesar dos investimentos bilionários em obras, a maior parte da população não foi beneficiada. Houve algumas melhorias pontuais em bairros centrais, periferias e baixadas, e várias ruas do centro foram reformadas. Um parque novo foi construído na área do antigo aeroporto, onde funcionaram a Blue Zone e a Green Zone, estruturas erguidas para receber representantes da ONU e delegações internacionais. Mas, de modo geral, essas intervenções não alcançaram as pessoas que realmente sofrem com a precariedade urbana. De Belém para fora, a narrativa era outra: uma COP realizada no “coração da Amazônia”, vendida como estrategicamente situada perto de um bioma essencial para frear o aquecimento global. Mas, no fim, prevaleceu o que sempre prevalece: as maiores poluidoras do planeta — empresas que acumulam passagens por desastres ambientais e práticas predatórias — foram tratadas como protagonistas. Quem mais destrói é quem mais negocia. Quem mais polui é quem mais tem voz. Enquanto isso, povos originários, moradores do Pará e populações que convivem diariamente com o impacto real das mudanças climáticas — especialmente as queimadas no sudeste, sul e oeste do estado, que cobrem estradas e cidades de fumaça durante o ano inteiro — ficaram fora das discussões. Em vez de ouvir quem protege a floresta, ouviram quem a derruba. Em vez de incluir quem sofre com a poluição, deram palco a quem lucra com ela. É ilusório imaginar que esses atores econômicos abrirão mão de seus lucros em nome da população. É ingênuo esperar que façam uma discussão séria, profunda e comprometida com a preservação ambiental. O que se viu foi a continuidade do mesmo mecanismo de sempre: desmatamento, exploração de petróleo e destruição sistemática, enquanto se vende ao mundo uma narrativa de responsabilidade ambiental através do já conhecido greenwashing. Dentro desse cenário, três bandas se uniram para lançar o split “Golpe 30” — um protesto direto contra essa grande encenação que foi a COP30 em Belém do Pará. Um grito musical contra a lógica de fachada, contra a política de conveniência e contra a mentira institucionalizada que transforma devastadores em defensores da floresta enquanto a floresta cai.